Chapada dos Veadeiros: Roteiro Completo

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Hello, viajantes! Nesse post vamos passar nosso roteiro completo de 8 dias na Chapada dos Veadeiros, por isso ele ficará um pouco extenso. Mas temos um aviso importante antes de você começar a acompanhar nossa aventura:

Fizemos nossa viagem em Novembro de 2020, uma época que VÁRIAS coisas ainda estavam fechadas pela pandemia da Covid-19. Muitas cachoeiras populares, como Santa Bárbara e Almécegas, não estavam abertas para visitação, por isso optamos por outras, mesmo essa sendo nossa primeira viagem para a Chapada dos Veadeiros. Todas foram incríveis e não mudaríamos nada.

 

Catarata dos Couros

Nossa primeira viagem para a Chapada dos Veadeiros não foi nada menos do que surpreendente! Escutávamos muita gente falando sobre a energia incomum e mística do lugar e até pensamos que poderia ser um pouco de exagero, como muitos lugares que ficam extremamente populares as pessoas já vão enviesadas. Mas a Chapada merece cada detalhe sobre sua fama!

A energia intensa e contemplativa realmente se faz presente em todo momento. Por qualquer lugar que você ande, o solo é cheio de quartzo. A natureza, selvagem e complexa.  Todos esses elementos são fontes de energia natural. Ao mesmo tempo que você se sente uma miniatura diante daquela imensidão, você se sente parte do todo, mais uma partícula de Gaia.

Mirante da Janela

Agora, vamos as cachoeiras, principais atrações da Chapada. Para vocês terem uma ideia, a região como um todo tem mais de 2.000 cachoeiras catalogadas. Isso mesmo, você não leu errado.

Então a primeira visita de qualquer viajante a Chapada é sempre um imenso desafio para conseguir escolher quais lugares conhecer. Encontramos muitas listas na internet, perguntamos para várias amigos que já haviam ido, mas a real é que a experiência é muito particular para cada um, portando, depois de ver todas as opções, siga sua intuição. Mas lógico que vamos falar aqui as que mais gostamos.


Dia 1:  Cachoeira do Label

Cachoeira do Label – queda de 200m

✦ Localização: São João D’ Aliança
✦ Distância: 90km de Alto Paraíso
✦ Nível do trilha: Intermediário
✦ Preço: R$ 30 por pessoa
✦ Infraestrutura: 5/4
✦ Segurança: 5/4

A nossa primeira cachoeira é a maior cachoeira do estado de Goiás e não estava em nosso roteiro (e nem em nenhum que vimos), descobrimos ela quando estávamos a caminho de Alto Paraíso. Como era fim de semana, a cidade estava lotada e queríamos ir em uma cachoeira menos conhecida que não estaria tão cheia.

Ficamos bem intrigadas por ser uma cachoeira de quase 200 metros que só foi descoberta em 2018! Acertamos em cheio, estava praticamente vazia e é maravilhosa.

A trilha pra chegar até a cachoeira foi uma das partes que a gente mais gostou do passeio é linda, bem sinalizada, com algumas partes mais tretinhas, mas nada que um bom sapato e pouco de atenção não resolvam. São 1,8km e demora em torno de 40 minutos.

Cachoeira do Label

Nos sentimos seguras durante todo o percurso porque:

1. você tem que deixar seus dados na entrada
2. encontramos várias pessoas na trilha
3. a trilha tem cordas, pontes e todo o suporte necessário

Um ponto importante, é que pra chegar até a entrada da trilha são 21 km de terra, um percurso muito lindo mas que precisa de um carro alto, tipo um jipe.


Dia 2: Cachoeira Loquinhas

Trilha Violeta – Cachoeira Loquinhas

✦ Localização: Alto Paraíso
✦ Distância: 4,2 km de Alto Paraíso
✦ Nível do trilha: Fácil
✦ Preço: R$ 35 por pessoa
✦ Infraestrutura: 5/5
✦ Segurança: 5/5

A Loquinhas é um complexo de cachoeiras que fica mais próxima de Alto ParaÍso e tem uma boa estrutura para todos os tipos de visitantes. Por conta desses fatores, é uma das mais visitadas por pessoas de todas as idades, principalmente nos finais de semana, quando fica quase uma Disney da Chapada (lotada)! Nós não ficamos com uma expectativa muito alta, mas nos surpreendemos!

Primeiro, o lugar inteiro é lindo e toda a estrutura é super integrada com a natureza, então você não fica com a sensação de um lugar de turismo de massa ou coisa parecida. Durante a semana, como são muitas cachoeiras, é fácil encontrar privacidade pra aproveitar a natureza, relaxar, meditar e ficar consigo mesma. Perfeito para um dia mais de boa que você quer se reenergizar e dar uma descansada nas pernas.

São duas trilhas, a trilha violeta é que mais gostamos, todo o caminho é menos frequentado pelos turistas. Além do caminho todo ser um espetáculo a parte, cheio de macaquinhos, parece que estamos flutuando na mata. Cada trilha tem em torno de 1,5 km com oito poços diferentes.

Cachoeiras preferidas:
1. Trilha Loquinhas: Poço do Pajé
2. Trilha Violeta: Cachoeira das Esmeraldas

Dia 3: Cachoeira do Macaquinho

 

✦ Localização: 35km de Alto Paraíso. Maior parte em estrada de terra
✦ Tempo: dia inteiro
✦ Nível do trilha: médio
✦ Preço: R$ 30 por pessoa
✦ Infraestrutura: 3/5
✦ Segurança: 4/5
✦ Guia: não é super necessário se você ja é acostumada com trilha

Como chegar?
Adicionamos esse tópico aqui, porque o final da estrada pode ser um pouco confuso.
Saindo de Alto Paraíso, você deve pegar a estrada sentido Brasília (a mesma que vai para a Catarata dos Couros). Depois do trecho de asfalto, você vai ver uma entrada sinalizando a Cachoeira dos Macaquinhos e partir dali seguir por cerca de 1h em estrada de terra. Essa primeira parte da estrada é tranquila, sem muitos buracos.
Quando você está se aproximando do camping onde fica a entrada para a Macaquinhos que o negócio pode ficar um pouco mais complicado. Cerca de 900m antes da entrada, você verá uma placa indicando que está próximo e caso você não esteja com um carro 4×4 já deve estacionar por ali mesmo. Vários carros até descem, mas acabam atolando para subir.
Cachoeira do Encontro

Dificilmente a Cachoeira dos Macaquinhos está na lista de quem vai pela primeira vez pra Chapada, mas está com certeza na nossa! Ficamos nos sentindo no Jurassic Park, entre cânions enormes, cachoeiras imponentes e a vegetação surpreendente do cerrado. São mais 10 cachoeiras e poços d’água para aproveitar no circuito.

A trilha é de nível médio, com muitas pedras e algumas subidas e descidas, mas nada muito complexo. Leve bastante água e lanchinhos para poder passar o dia tranquila e explorar tudo o que lugar tem a oferecer.

As últimas cachoeiras, Cachoeira da Caverna e Cachoeira do Encontro, tem quedas fortíssimas, como também é a energia do local. Na Cachoeira do Encontro, não recomendamos chegar muito perto da queda sem um guia, pode ser muito perigoso!

Foi também a cachoeira que achamos mais locais para pular das pedras com segurança! A Cachoeira da Luz e Poço do Jump são uma das melhores opções.


Dia 4: Raizama

Toda viagem tem aquele dia que as coisas não saem exatamente como o planejado. Esse dia foi assim, mas não poderia ter sido melhor! Não tínhamos ouvido falar em lugar nenhum dessa cachoeira e foi MUITO SURPREENDENTE.

Raizama

RAIZAMA
✦ Localização: pertinho de São Jorge
✦ Tempo: meio dia
✦ Nível do trilha: fácil
✦ Preço: R$ 20 por pessoa
✦ Infraestrutura: 3/5
✦ Segurança: 4/5
✦ Guia: é bem tranquilo fazer sem

Raizama é uma continuação do Rio São Migual, então a formação geológica é muito parecida com o Vale da Lua, porém com a vantagem de poder nadar entre os cânions.
Éramos só nós lá naquele dia. A água mais escura por conta das pedras cinzas fizeram a gente se sentir em outro planeta! Só faltaram os migos ETs aparecerem
Ficamos horas curtindo nosso paraíso particular, até chegarmos na última supresa do dia: uma cachoeirinha que parecia saída de um conto de fadas. Sabe aquelas que os hotéis de luxo querem copiar?

A trilha é tranquila, plana na maior parte do tempo, com uma vegetação menos densa e uma vista maravilhosa do por-do-sol.


Dia 5: Passeio de Balão e Cachoeira dos Cristais

O sonho de andar de balão é real, possível, maravilhoso e não é na Capadócia, mas sim na Chapada dos Veadeiros! Por essa você não esperava, né? Nós também não, mas foi uma experiência fantástica!

Amanhecer no balão

Como estávamos hospedados no Airbnb da Alejandra, que ficava mais próximo a São Jorge, mas mesmo assim, bem afastado da cidade, tivemos que sair no meio da madrugada para chegarmos as 4h30 no local combinado do balão, que ficava em Alto Paraíso.  Assim que vimos o balão, o sono todo passou.

O passeio com a preparação do balão, quando o Filipe, piloto e fundador da empresa Balonismo na Chapada, faz toda a explicação técnica e histórica de como é o voo. São necessários mais de 6m de lona e botijões de gás propano para manter a gente no ar por cerca de 1h30.

  • Empresa: Balonismo na Chapada
  • Horário: início às 4h30 da manhã
  • Duração: 1h30
  • Valores * (valores de 2020)
    • Balão 8 passageiros: R$690 por pessoa/ R$ 350 crianças de até 11 anos
    • Balão 3 passageiros: R$790 por pessoa
    • Balão 2 pessoas: R$ 1190 por pessoa

O voo é calmo e, mesmo para nós que temos certo medo de altura, é muito tranquilo, pois o balão super estável. Nada de turbulência por lá.

Subimos no balão ansiosas para a assistir o nascer do sol lá de cima, vendo o cerrado amanhecer como uma pintura. Até uma onça preta super rara tivemos o privilegio de avistar. O Filipe falou que foi a primeira vez em 7 anos de voo na região que ele viu uma.
Passamos por cima do Morro da Baleia, pudemos ver a extensão do Jardim de Maytrea, com a companhia de araras voando junto ao balão.

Recomendamos? Sim, certeza! Valeu cada centavo guardado para investir nessa experiencia, que vai direto pra caixinha de “memórias mais especiais da vida”.


Depois do passeio, fomos tomar café na única padaria aberta no horário e optamos por ir para  Cachoeira dos Cristais, por ser bem próxima de Alto Paraíso. Estávamos muito exaustos da falta de sono a noite e não queríamos fazer nenhuma trilha longa.

A Cachoeira dos Cristais tem uma pegada parecida da Loquinhas, porém com um trilha mais íngrime. Logo na entrada, há uma lanchonete e um espaço grande mesas, cadeiras e redes. Quando estávamos no início da descida para a última cachoeira, começou a chover. Ficamos um pouco lá, mas preferimos subir e dormir um pouco nas redes.

Confesso que não aproveitamos muito o dia por lá e não temos um relato empolgante da Cachoeira dos Cristais. Algumas pessoas foram e falaram que adoraram a energia. Acho que nosso cansaço não nos permitiu sentir nada disso no dia.


Dia 6: Vale da Lua e Mirante da Janela no Por do Sol

Vale da Lua

✦ Localização: 15min de São Jorge
✦ Tempo: 2h a 3h
✦ Nível do trilha: fácil
✦ Preço: R$ 20 por pessoa
✦ Infraestrutura: 3/5
✦ Segurança: 3/5
✦ Guia: recomendável para entender mais sobre a formação geológica e curtir sem preocupação. mas é super tranquilo de fazer sem também.

Para nós, o Vale da Lua é um must go! Antes das 9h estávamos entrando no Vale e podemos dizer que é realmente surpreendente. A formação geológica da região data 1,8 BILHÕES de anos atrás e ali se encontram as rochas metassedimentares mais antigas do Brasil.

Demos sorte e pegamos um dia com poucos turistas por lá, o que é super raro, principalmente na alta temporada. Por ser época de cheia, e ter chovido na noite anterior, apenas alguns poços estavam disponíveis para nadar.

Aí que entra a sorte de estarmos com guia! A Lu nos levou para um Poço 1, que fica mais pra cima, onde não tinha nenhum turista mesmo. Os salva- vidas só nos deixaram ir até lá exatamente por estarmos com guia. Pudemos nadar entre as fendas das rochas e sentir um pouquinho do que deve ser a lua (ou algum outro planeta).

DICAS DE AMIGA

  • muito cuidado aonde você pisa nas pedras! Nunca pise nas manchas mais escuras, pois é onde escorre algo recorrentemente, tornando elas
  • super escorregadias.
  • Em épocas de chuva é mais recomendável contratar um guia, pois as trombas d’agua são super perigosas
  • Leve dinheiro, eles não aceitam cartão na entrada
    Chegue cedo: menos turistas e menos probabilidade de chuva na época de cheia (nov a abril)
    explore as rochas e grutas, aproveite pra relaxar e tomar um solzinho
Mirante da Janela no pôr do sol

Mirante da Janela no Pôr do Sol

Tanto o Vale da Lua, quanto a trilha do Mirante da Janela ficam próximos a São Jorge. Mas acontece que eu havia esquecido meu tênis no Airbnb de Alto Paraíso e tivemos que passar lá para buscar antes da trilha. Então, no caminho do Vale da Lua para Alto Paraíso paramos no Jardim de Maytrea, um dos lugares mais famosos na Chapada para assistir o pôr do sol. Ainda era por volta da hora do almoço, então nada de sol de pondo pra nós, mas fui super interessante aprender mais um pouco sobre o jardim.

Jardim de Maytrea

Agora vamos a trilha do Mirante da Janela:

✦ Localização: entrada por São Jorge
✦ Tempo: 4h a 5h
✦ Nível do trilha: média pra difícil
✦ Infraestrutura: 5/5
✦ Segurança: 4/5
✦ Guia: para fazer o mirante no por do sol é obrigatório estar com guia. Em geral, é recomendável.

Chegamos na entrada da trilha por volta das 15h30, tempo ideal para alcançar o topo antes das 17h30 e poder ver o por do sol de lá. Essa também é a trilha que passa pela Cachoeira do Abismo, mas naquele dia a cachoeira estava super seca e acabamos nem entrando. O interessante de fazer a trilha nesse horário é que pegamos um “contra-fluxo” e ficamos, novamente, com o parque só pra nós.

A trajeto é de muitas subidas e descidas, mas tem uma boa estrutura auxiliar, com pontes e alguns corrimãos. Tudo bem no estilo Chapada de ser, não espere uma passarela.

No meio pro final da trilha (caminho de ida), pegamos um pouco de chuva e quando chegamos no ponto da foto famosa da janela, a pedra estava muito escorregadia para subir. Tentando nos proteger um pouco da chuva, acabamos achando um spot muito mais legal!

lugarzinho escondido do mirante
SE LIGUEM NESSA DICA:

abaixo da escadinha que sobe pro mirante, tem tipo uma gruta com estruturinha de madeira. Atravesse MUITO CUIDADOSAMENTE a estrutura e você irá encontrar a vista mais linda do passeio! Se você tiver medo de altura, fuja. Estamos falando da BEIRA DE UM ABISMO.

Ficamos ali apreciando a vista para a Cachoeira dos Saltos, que fica dentro do Parque Nacional. Com certeza um dos lugares mais maravilhosos e imperdíveis da Chapada. Não tivemos tanta sorte com um por do sol de tirar o fôlego, afinal o dia estava um pouco nublado e chuvoso, mas o céu não deixou de ficar uma pintura de tons suaves.

Pegamos uma parte do caminho de volta no escuro. O som da vida selvagem acordando pro turno noturno foi uma experiencia super diferente e até com uns sustos no final, mas nada para tirar o sono kkk

DICAS DE AMIGA
  • leve muita água! por ter muito subida, a trilha cansa
  • não esqueça a lanterna
  • explore o passeio além apenas da vista da janela

Dia 7 :  Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Se pudéssemos definir o Parque Nacional em uma frase seria: o Jurassic Park Brasileiro.

O Parque Nacional foi o passeio como um todo que mais amamos na Chapada. Aqui vão os motivos :

  • A paisagem do parque é diferente de tudo que já vimos na vida
  •  O estado de conservação da natureza é surreal
  • A energia do lugar é muito forte, uma paz que transcende ⠀

Há três trilhas dentro do parque, a primeira é uma Travessia das Sete Quedas, de aproximadamente três dias em que você fica duas noites em acampamentos dentro do parque, se ficamos morrendo de vontade de fazer? Nem precisa perguntar, né!

As outras duas trilhas são a trilhas de Saltos, Carrossel e Corredeiras (amarela) e a trilha dos Cânions e Cachoeira das Cariocas (vermelha), escolhemos a primeira.

Informação importante: a bilheteria do parque fecha às 12h, nenhum visitante pode entrar depois desse horário.

Cachoeira dos Saltos – 120m

Logo que chegamos compramos o bilhete de entrada (R$ 18,00 por pessoa) e recebemos uma explicação sobre as trilhas com um filme ilustrativo e orientações sobre a fauna e a flora local. Decidimos fazer a trilha amarela, pois era a que passava pela cachoeira dos Saltos. A caminhada tem um total de 11km, ida e volta.

Trilha de Saltos, Carrossel e Corredeiras:

✦ Localização: Parque Nacional, próximo a São Jorge
✦ Tempo: 5h a 6h
✦ Nível do trilha: média pra difícil (algumas partes muito íngrimes)
✦ Infraestrutura: 5/5
✦ Segurança: 5/5
✦ Guia: não é necessário

Iniciamos os 11km de trilha já deslumbradas com a paisagem do cerrado, as nascentes de água que brotam durante todo o percurso, os cantos dos pássaros e aquele céu infinito.

A indicação dos guias foi que fizéssemos a trilha segundo as setas, mas resolvemos inverter a ordem das cachoeiras para nos refrescarmos e pegarmos o contra fluxo das pessoas.

Essa dica vale ouro: na primeira bifurcação, seguimos a direta em vez dea esquerda e chegamos nas Corredeiras do Rio Preto que é o paraíso para quem tomar um sol, tirar algumas horas para ler um livro, fazer uma massagem nas corredeiras e aproveitar toda a energia da água. Como começamos a trilha perto do 12h, estava no momento perfeito para aliviar o calor.

 

Continuamos caminhando e chegamos numa vista de tirar o fôlego no Mirante do Salto dos Rio Preto, tão lindo que dá vontade de ficar horas contemplando aquele lugar. Os cânions traçam um caminho que parece infinito e a Cachoeira dos Saltos de 120m de altura é de uma magnitude impressionante! Por conta da força da água, não é permitido nadar.

Seguimos por mais alguns metros, pelas pedras na encosta e chegamos no Cachoeira dos Saltos de 80m. Aqui é permitido tomar banho no Rio Preto e limpar a alma depois de um dia inteiro caminhando. Só não é possível chegar muito próxima a queda d’água, o Parque Nacional restringe com uma corda o limite de segurança.

Cachoeira dos Saltos – 80m

Retornamos bem devagar, enquanto o sol começava a baixar e deixava a paisagem ainda mais maravilhosa e cheia de cores.


Dia 8: Catarata dos Couros

Antes de começarmos, vale ressaltar duas coisas:

1. A presença de guia é necessária, mas deveria ser obrigatória

Por termos experiência com trilha, acabamos optando por ir sem guia e olha, passamos perrengue para encontrar o caminho certo porque não há sinalização e nem demarcação. Outra coisa importante, atenção redobrada com as cachoeiras, qualquer escorregada pode ser perigosa.

2. A LOCALIZAÇÃO NO GOOGLE MAPS ESTÁ INCORRETA

Para nós foi suuuper difícil encontrar a Catarata dos Couros, o Google Maps te manda para uma localização completamente diferente, inclusive a dona do lugar que fomos parar disse que isso acontece direto e, mesmo com explicações de diversas pessoas, demoramos pelo menos 1 hora para conseguir encontrar a entrada da cachoeira.

Cachoeira da Muralha

Podemos afirmar com a boca cheia que valeu cada perrengue que passamos! Por ser menos turística e com menos interferência humana, foi uma das nossas preferidas e recomendamos a Catarata dos Couros para todo mundo! A grandeza das cachoeiras e o volume de água é algo que não vimos em nenhum outro lugar.

Logo no estacionamento, há a opção de agendar um almoço depois do passeio num restaurante local, que é da esposa do moço que cuida dos carros. Custou em torno de R$ 15 e foi uma comidinha caseira simples, mas super gostosa. Vale a pena!

Agora vamos a trilha da Catarata dos Couros:
✦ Localização: a entrada é próxima a Alto Paraíso
✦ Tempo: 5h a 6h
✦ Nível do trilha: média pra difícil
✦ Infraestrutura: 2/5
✦ Segurança: 2/5
✦ Guia: é necessário

Por termos nos perdido bastante, acabamos chegando por volta de 12h e iniciamos a trilha em direção ao final, onde tem um mirante maravilhoso, que você pode ver todas as cataratas e o Rio do Couros.

Mas fomos parando no caminho e aproveitando cada uma das cachoeiras. Logo no começo, você encontra a Cachoeira da Muralha, a mais “famosa” do complexo, mas não a mais linda, na nossa opinião. É uma cachoeira extensa de largura, que parece se dividir em duas. Como havia chovido na noite anterior, o volume de água estava altíssimo, o que há deixava também mais perigosa.

Apreciamos a vista, mas deixamos para entrar nela no final e seguimos em direção a terceira queda: a Cachoeira do Parafuso.

Cachoeira do Parafuso

Ficamos boquiabertos quando chegamos no local. É uma sucessão de quedas, com um volume impressionante de água, um lugar cinematográfico. Ficamos horas curtindo a o solzinho nas pedras.

Vimos algumas pessoas que estavam com guia pegando um “tobogã” natural, que é só se jogar no lugar certo, para o fluxo da água te levar. Como estávamos sem guia, ficamos na nossa, para manter a segurança.

A cachoeira seguinte é a Cachoeira do Bujão, que fica logo abaixo da do Parafuso. Como a trilha para lá era mais complexa e ainda não tínhamos chegado no mirante, decidimos por não ir até lá.

Seguimos para o Mirante e essa parte da trilha ficou mais treta. Sem sinalização nenhuma, quase nos perdemos várias vezes. Além disso, algumas partes são muito íngrimes e é necessário se apoiar completamente nas cordinhas de segurança. Não é para corações fracos.

mirante

Porém a vista do cume compensa qualquer coisa! A camera do celular não consegue capturar a queda inteira de mais de 100m, tamanho sua magnitude. A vista oposta é a continuação do Rio dos Couros, entre seus cânions sem fim.

Voltamos caminhando com a tranquilidade de quem teve a oportunidade de apreciar toda essa mãe natureza perfeita e paramos para tomar um banho na Cachoeira da Muralho. Entramos um pouco e percebemos o que a guia do outro dia havia nos alertado, os sinais de uma possível trombra d’água.

O fenômeno diz respeito ao repentino aumento de volume de água no rio, quando chove nas cabeceiras, formando uma enxurrada destruidora, sem deixar tempo suficiente para os banhistas saírem da água.

Claro que ao notarmos isso, saímos rapidinho dali e finalizamos o passeio.


Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Bom, nosso roteiro resumido dos 8 dias na Chapada dos Veadeiros fica por aqui. No último dia, íamos na Cachoeira do Segredo, mas como tivemos alguns imprevistos, acabou não dando certo. Mesmo com as cachoeiras fechadas e um pouco de chuva, fomos embora com a sensação de que conhecemos tudo que deveríamos ter conhecido, não faltou nada. Apenas deu ainda mais vontade de voltar para explorar  esse lugar impressionante que é a Chapada.

Qualquer dúvidas ou comentários, escreve aqui embaixo 🙂

Vamos adorar responder

bjs

 

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